Quero envelhecer em casa, independente e com autonomia: Aging in place


Talvez o maior desejo dos 60+ seja continuarmos autônomos e independentes no nosso lugar, na nossa casa, com qualidade de vida e entre aqueles que amamos, amigos e família. Ao mesmo tempo, sabemos que envelhecer nos impõe limitações naturais, que mexem com nosso corpo e mente. Questões como alimentação, sono, exercícios, socialização, e mesmo a fé, já são comprovados fatores que orientam nossa qualidade de vida quando envelhecemos: a genética corresponde a apenas 25% de nosso bem envelhecer. O certo é que precisaremos de ajuda.

Mas então, como envelhecer em casa de forma autônoma e independente? Antes de responder, gostaríamos de fazer uma outra pergunta: quando, durante a sua vida, você foi, em qualquer idade, totalmente independente e autônomo? Quando você nunca precisou de alguém? De um investidor para o seu negócio, de um cliente, de um amigo, de um médico, de um familiar, de um policial, de um professor…. A lista é infinita, mas nos esquecemos dela: o que fazemos automaticamente é usar o termo “ajuda” durante o envelhecimento como sinônimo de doença. Receber ajuda faz parte de nossa vida desde que nascemos. E agora então respondemos:

Envelhecer em casa é possível com planejamento, cuidando de si mesmo, e aceitando também ajuda, do tipo que for preciso, sem preconceito.

Planejamento: o planejamento tem a ver desde com a segurança e conforto na sua casa (há muitas escadas?), até uma avaliação financeira. Quanto irá custar você envelhecer em casa? Provavelmente seu maior ativo seja sua casa. E os custos que ela traz, com o passar dos anos, certamente serão crescentes. Será que é mais lógico envelhecer em casa, mas não necessariamente na sua? Talvez mudar-se para um lugar com menor custo de vida?

Cuidando de si mesmo (ou dos seus pais): Tenha um propósito de vida, defina objetivos, renove seus sonhos, saiba o que vai fazer desde a hora que acordar até o final do dia. Coma com sabedoria: encha apenas 80% do seu estômago, sempre fique com aquele gostinho de “quero mais”. Mantenha-se ativo: não há necessidade de tornar-se um maratonista, mas de realizar os movimentos naturais, como andar, subir escada, plantar, cozinhar à moda antiga. Mantenha-se socialmente presente: continue a criar vínculos com pessoas novas, e mantenha os existentes. O que isso tem a ver? Nossa mente pode ser nossa melhor amiga, mas também nossa maior inimiga. Envelhecer, caso nos identifiquemos com os estereótipos atuais, pode levar-nos ao isolamento social e à depressão. Por quê? Porque o estereótipo do idoso na cultura e sociedade atuais é de que ele é como um carro que vem na contra-mão: enquanto são exaltadas a beleza e a juventude, a autossuficiência e a individualidade, e a utilidade econômica, ficar idoso está associado a “uma sentença de dor, de doença, de enfermidade, de solidão, de pena, de vergonha”. NÃO! Se você encontrasse a Suzana Vieira, a Ana Maria Braga, o Silvio Santos, e tantos outros idosos que estão na mídia, o que você diria? Você os vê como pessoas sob a lente do estereótipo do envelhecer? Imagino que não, mas muitas vezes é fácil sermos os carrascos de nós mesmos.

Então, crie, mantenha e renove seus vínculos sociais. Em casa, no bairro, no supermercado, no restaurante, andando na rua.

Aceitando ajuda: E sim, talvez você precise de uma ajuda em casa mesmo. Talvez para cozinhar, organizar sua casa, ajudá-lo a tomar os remédios na hora certa, acompanhar você a algum lugar. Talvez você também precise de ajuda com atividades da rotina diária em algum momento. Talvez um cuidador, formal ou informal, um acompanhante, um enfermeiro. E daí? Aqueles que chegam a uma idade avançada é porque tiveram a oportunidade de viver mais, de aprender mais, de contemplar mais. A alternativa não parece mais rica.

Cuide de si mais um pouquinho, e todos os dias, desde agora: li certa vez “não paramos de sorrir porque envelhecemos, mas envelhecemos quando paramos de sorrir.”

Então, se você quer envelhecer em casa, independente e autônomo, comece a planejar hoje, e a aceitar esse processo em sua essência: ele é natural e universal.

Para saber mais sobre Aging in Place, um bom lugar é http://www.ageinplace.org/. Embora seja em inglês e tenha conteúdo específico sobre Leis Americanas que têm a ver com idosos, há um template bem simples para você se planejar para seus 60+ em casa: autônomo.